*Bem… esse texto faz alusão a ninguém, mas se fizesse seria para a pessoa mais linda do mundo [na verdade, lindinha!
]. E se você chegou aqui: é muito bom falar com você!!
Gostamos das coisas móveis, das novas formas, da velocidade moderna e dos homens que assumem o lugar dos antigos. Impressiona-mo-nos em ver o tempo passar correndo desde a nossa origem até o fim dos nossos dias. Enquanto o vemos no quintal de casa, memórias, certezas e inquietações entram pela porta de frente, sentam-se à mesa e ficam para o jantar nos envolvendo na ciranda do tempo da vida. Dadas as possibilidades, preferimos nos alegrar em viver no dínamo finito de nossas vidas, em detrimento de nossa indolente adequação natural às coisas estáticas.
Lá por entre os anos irresponsáveis da infância e a maioridade pós-juvenil somos assaltados pela inudação da paixonite (ah…!). Tempo esse em que amamos amar românticamente – seja o que for. É nesse round que aprendemos quase tudo sobre o que há de vir sobre nós nesse aspecto. Néscios, sonolentos e cambaleantes – na madrugada quente que precede a alvorada fervete de sensações -saímos à procura da donzela ideal – sabendo ou não o que isso significa. Nesse entretempo, do início ao fim de nossa marcha, descobrimos delícia e aprendemos sobre os mais diversos prazeres que nos levarão à efusividade amorosa. Ainda aqui, dotados da mesma paixonite “vintolescente” apenas um pouco mais vivida, gostamos do transcorrer do tempo e nos admiramos com esse fluxo constante de abreviação de vidas que, ora nos ensina, ora nos encoraja.
Mas não é sempre assim…
Experimentados nos mais diversos deleites e maduros na relação sentimental a nossa proto-paixão já prefigura a alma-gêmea, bastando apenas encontrá-la (através dos mais diversos meios, inclusive os ridículos!).
Voltando ao tempo e à nossa aptidão em admirá-lo, uma verdade: basta-nos simplesmente encontrar a pessoa amada que a proto-paixão transmuta-se na própria paixão e a admiração por esse aglomerado de dias e horas e visto com desdém, hostilidade e abandono.
Não há nada mais delicado, belo e indefeso que a jovem dos nossos sonhos mais diletos. E quando a encontramos, nada e nem qualquer agrado ou alegria atraentes, poderão induzir-nos a perder um só segundo a sós com ela. São tão maléficas as regras da contingência temporal para os enamorados quanto a fúria do leão faminto para o solitário indefeso.
E cá estou, torcendo para que chegue a hora de vê-la, em carne, e, a partir de então que sejamos eternos vivamos sempre à flor de nossa mocidade.
“E o meu riso me libertou da minha hesitação”