Em resposta

Olá lindinha!

Confesso de bom grado – por que negaria? -, senti a natureza intimidante da tarefa a que me propunha, e a minha completa impossibilidade de fazer justiça aos seus méritos. Contudo, se algo emanado da mente de um desditoso como eu pode aspirar a um lugar em suas lembranças… se um ser, por mais vil que seja, faz jus à tua atenção e à tua confiança… Então esse ser ousa pedir: Chegue-se mais, dê-me a sua mão e abrace-me. Venha comigo, vou lhe mostrar uma coisa…

[acabaram-se as aulas: chegaram as férias! acabou-se o sono: rompeu a manhã!]

Os pensamentos que temos de uma pessoa não são apenas a mera reprodução da realidade exterior nem, tampouco, são passivos. Mas são criados pelo ato de pensar e são marcados pelos sentimentos e níveis de relacionamento que mantemos com ela. O que penso sobre você não é de todo original, porque se penso – e o que penso de você -, é pensamento todo carregado do que você me faz pensar e esse sinergismo instiga uma imagem sua, em mim: a da garota mais nobre e linda que conheço. Bem… creio que continuar escrevendo sobre o que penso sobre você vai me fazer esbarrar em alguns clichês desbotados e em algumas metáforas sem vida. Não é o que quero. Neste caso, falarei sobre mim mesmo e sobre para onde vou – e onde a minha imaginação me leva – quando estou sentado a falar contigo. Pode se alegrar, pois a culpa disso também – mas não só – é sua!

Sente- se aí, já vou começar…

Estar ali, a sós contigo, me faz sentir como se estivesse dentro de uma canção alegre – em Sol maior, se é que me entende. É como se o seu sal, jogado em mim, despertasse o sabor latente que eu ignorava existir em mim. A sua luz me mostra que deve haver cor em mim também! Falar com você me faz acreditar na “boa sorte”, mesmo que ela não seja assim tão digna de confiança. Ler o que escreves a mim é uma carícia das mais suaves. Contigo me flagrei cometendo frescuras das quais nunca me dei ao luxo. Nesse Éden de maravilhas e delícias que estou só há um perigo eminente: o do auto-engano. Mas penso que essa história terá um final digno. Um bom final, um final que as pessoas gostariam de ouvir e ouvir, por vezes a fio, creio que até os anjos a contarão uns aos outros, quando não houver alguém para contar, e colocarão a mão sobre a boca numa atitude de surpresa e deslumbramento. Porém, talvez isso que estou – ou estamos? – vivendo agora sejam apenas a capa e a primeira página do livro!

Desde já sinto remorso d’ “Os beijos que não tive por tolice;
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!”
Olavo Bilac

As palavras pesam muito. Estou surpreso de ter chegado até aqui. Espero que goste.

de: Mickael Ramom Siqueira de Andrade
Para: Keise Emmily Menezes Gomes ;)

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